Sua irmã me telefonou ontem para saber como eu estava. Nós nunca fomos íntimas, estranhei ela estar tão interessada na minha sobrevivência emocional. Foi ela
que confirmou que você segue com a pessoa a quem você não ama, a pessoa pra quem você não está nem aí, a pessoa que está te servindo como muleta enquanto
você não me tira da cabeça. Sua irmã me contou isso como se o fato de você não demonstrar animação por essa que me substituiu fosse suficiente para não me fazer sofrer. Sua irmã sempre me pareceu meio tola, então vou desconsiderar esses comentários e tentar acreditar que ela não está sendo maledicente.
Afora a atualização pormenorizada da sua vida afetiva, ela deixou escapar algo que eu já suspeitava, mas não tinha certeza. Eu sabia que havia um troço esquisito em você que afetava a nossa relação, mas esse distúrbio é tão inédito pra mim que não consegui diagnosticar, ou talvez eu tenha preferido fazer de conta que tudo em você era autêntico e que a insana era eu, ao menos assim eu poderia repartir a conta do estrago e tentar salvar o que eu não queria que se rompesse, foi assim que passei dois anos me iludindo: está tudo caótico, mas tudo bem, a paixão é desse modo, eu apenas não estou acostumada, apenas isso, mas vou me acostumar, todo mundo diz que amar desse jeito transtornado é normal.
Não era.
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