quinta-feira, 3 de maio de 2018

Pag 52

Sua irmã me telefonou ontem para saber como eu estava. Nós nunca fomos íntimas, estranhei ela estar tão interessada na minha sobrevivência emocional. Foi ela
que confirmou que você segue com a pessoa a quem você não ama, a pessoa pra quem você não está nem aí, a pessoa que está te servindo como muleta enquanto
você não me tira da cabeça. Sua irmã me contou isso como se o fato de você não demonstrar animação por essa que me substituiu fosse suficiente para não me fazer sofrer. Sua irmã sempre me pareceu meio tola, então vou desconsiderar esses comentários e tentar acreditar que ela não está sendo maledicente.
Afora a atualização pormenorizada da sua vida afetiva, ela deixou escapar algo que eu já suspeitava, mas não tinha certeza. Eu sabia que havia um troço esquisito em você que afetava a nossa relação, mas esse distúrbio é tão inédito pra mim que não consegui diagnosticar, ou talvez eu tenha preferido fazer de conta que tudo em você era autêntico e que a insana era eu, ao menos assim eu poderia repartir a conta do estrago e tentar salvar o que eu não queria que se rompesse, foi assim que passei dois anos me iludindo: está tudo caótico, mas tudo bem, a paixão é desse modo, eu apenas não estou acostumada, apenas isso, mas vou me acostumar, todo mundo diz que amar desse jeito transtornado é normal.
Não era.

terça-feira, 1 de maio de 2018

Oi, tudo bem?

Oi, bb. Tudo bem? Espero que esteja tudo bem por aí. Por aqui ta tudo tranquilo.
O motivo de te escrever é para colocar um ponto final nisso pra mim e poder seguir em frente sem remorso de nao ter ido atrás vezes o suficiente. Conheço você de uma forma que poucas pessoas conhecem, raras até, tenho medo de você nao encontrar outro porto seguro que te compreenda... Sei que não fala bem de mim por aí (as fofocas voam), mas nao me importo. Eu dei o meu melhor em todos os 5 meses que estivemos juntas e não sinto que podia ter feito mais que aquilo, sinto que fiz tudo que estava ao meu alcance.
Sinto muito a sua falta e nao imaginei que doeria por tanto tempo (3meses) mas sei que uma hora ou outra vai passar. Talvez um dia eu consiga olhar suas fotos, reler nossas conversas e pensar que foi um tempo bom apenas. Talvez um dia eu consiga passar uma noite sem sonhar contigo. Eu já fui ponte e muleta pra tanta gente, erro meu pensar que dessa vez eu teria a sorte de não ser.
Quero que fique bem. Que continue sendo esse pedacinho de orgulho que sempre foi. Vou sempre lembrar de você como a pessoa que esteve comigo nos momentos ruins que passei desde o primeiro dia que tudo começou a desmoronar.
Sinto sua falta, bb.
Seja feliz.
Adeus.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Bebê...

E quantas vezes eu desejei ouvir de novo você me chamando de bebê? As vezes que me chamava pelo nome e eu me irritava e você, graciosa, me chamava de "Valquiria" só pra me irritar mais.
Eu sinto falta de tudo isso.
Sinto falta do seu cheiro, do seu toque, de como nossas mãos se encaixavam ao se entrelaçar...
E o abraço? Eu adorava a forma que me abraçava colocando o rosto debaixo da minha cabeça, apoiando no meu peito, enquanto cheirava meu pescoço.
Sinto muito a sua falta.
E me pergunto todos os dias onde nos perdemos...

As coisas deram errado....

"Agora sei por que tudo na minha vida deu errado até hoje."
"Por que?"
"Pra que pudesse dar certo com você!"

Eu nunca contei, mas eu chorei nesse dia. Não foi de tristeza. Foi de alegria. Finalmente algo de bom estava me acontecendo. Finalmente Deus olhou pra mim e falou "Sai que é tua, Taffarel!" E eu agarrei. Agarrei como se fosse um pênalti de uma final da copa de 1994 contra a Itália.

Mais um dezessete

A cada dia 17, borboletas brotavam no meu estômago. É o dia que ficamos pela primeira vez e eu sempre tentava fazer algo, de um jeito meio torto, afinal, nunca fui boa em agradar. E com ela nao foi diferente. Era nítido como ela não estava feliz ou satisfeita com o que eu tinha a oferecer... Mas... A cada 17 eu tentava de novo, e de novo, e de novo... Até que um dia vi que só pra mim essa data era importante.

A mudança

Recebo uma mensagem de Giudete me falando que a ex mandou ela embora de casa e que iria morar na casa dos pais. Fiquei muito triste pelo fim pois era nítido que se gostavam. Mas algum propósito tudo tem. Os pais dela moram há cerca de 10 minutos a pé da minha casa. Poderíamos nos ver mais. E assim foi.
Começamos com ela vindo dormir na minha casa num sabado qualquer... E quando me dei por mim, estavamos dormindo juntas quase todos os dias.

Será?

Alguns dias depois ela me chama pra ir ao bar. Exitei muito por algum motivo desconhecido mas fui. E estava certa! A ex dela estava lá também. Uma situação bem desconfortável já que Giudete nao parava de me mandar mensagens e fotos la do banheiro enquanto eu estava na mesma mesa que elas.
Um tempo depois a ex dela decide ir embora e Giudete diz que quer ficar comigo. Ficamos a noite toda novamente. E como não me apaixonar naqueles olhos  que me excitavam so de me fitar?
Será uma mudança dos cosmos me mostrando que eu finalmente vou ser feliz em algo?

Não vou me apegar!

Decidi que nao me apegaria. Mas como cumprir? Ela passou a manhã toda me mandando mensagens, fotos, áudios, vídeos... E eu me sentindo cada vez mais flutuante. Mas, pera lá, Vanessa! Pés no chão! Ela ainda mora com o ex. Podem ficar bem à qualquer momento e você quem vai pro escanteio.
Voltei meus pés pro chão. 👣

Bendita sinuca

Após algumas conversas, cervejas e tequilas, ela quis jogar sinuca. Falei que não queria jogar naquele momento e voltei a falar com meus amigos. Ela me puxou e me deu um beijo. Nosso primeiro beijo. E, quem diria, o primeiro de muitos.
Imediatamente eu senti vontade de jogar!
Ficamos juntas a noite toda. Entre beijos e pegadas. A única pessoa que me fez me sentir viva naquele dia... Viva de uma forma que eu não me sentia há tempos.

Onde tudo começou ...

Era um dia como outro qualquer, alias, deveria ser, se nao fosse pelo fato de que eu acabava de perder meu emprego.
17/08: Estou saindo do trabalho pensando apenas no que farei da minha vida a partir de então...
Deixo o carro na garagem e me dirijo ao bar, sentido via sacra... Primeiro Primu's, depois Orlando, depois Ribis's e finalizo no Gato Negro.
De novo, era pra ser uma noite como outra qualquer... Afogando as mágoas de um emprego perdido, fazendo companhia aos amigos de sempre... Mas nao foi assim que planejaram la em cima esse roteiro.
Ela chega, com aqueles olhos que me derrubam há tempos... E me cumprimenta com alegria. Seu nome? Vamos chamar de Giudete, tenho certeza que ela vai adorar esse nome. Trabalhávamos na mesma empresa, ela estava de férias e eu a mais nova desempregada do pedaço.
Uma garota alcoolizada começa a me xavecar e eu falo que namoro a Giudete que de imediato confirma a relação. "- 8 anos" - concordamos.
A noite vai passando e o papo com Giudete continua se prolongando. Confessei que sempre tive uma queda por ela desde que nos falamos a primeira vez. Foi no fumodromo do trabalho e ela estava elogiando a sandália da Sara... Me intrometi na conversa pois queria que ela notasse que eu existia. Alguns dias depois soube que ela era casada.
Me lembro das discussões que ela tinha com a ex mulher no fumodromo e sempre vinha pedir minha opinião sobe o tema. Como se eu soubesse algo de relacionamentos... Tinha acabado de sair de um casamento frustrante em que dei minha alma e ate isso ela levou.
Eu sempre fui boa em conselhos. Mas sou do estilo "faça o que eu digo e não o que eu faço." Afinal, eu nunca os sigo.